domingo, 25 de janeiro de 2015

A Maldição da Lua Negra - Parte 9




A luz da manhã bateu com força em seu rosto, como se pudesse feri-la, o que resultou em uma expressão desagradável e retorcida da jovem que pouco havia dormido, devido ao lugar incômodo e, principalmente pela ansiedade de um novo dia. Quando finalmente conseguiu pregar os olhos, a claridade veio com força em sua direção. De contra o sol, o máximo que ela conseguiu ver era uma silhueta, que ela desconhecia completamente, mudando de ideia quando ouviu a voz:



- Bom dia, Maia. O capitão deseja lhe ver. Deve estar com fome... -disse o homem moreno que havia lhe desfeito as amarras na noite passada.



Maia, ainda tonta com a claridade, se levantou apoiando-se no chão, do que agora ela pode confirmar ser um depósito de alimentos, e conforme se movimentou, seus olhos foram acostumando-se com a luz, confirmando ser o moço de pele morena em frente ao seu quarto.




A jovem não disse nada, apenas pegou seu diário e saiu lentamente do depósito, esperando que o moço lhe mostrasse o caminho a seguir. Caminharam por entre o navio, subindo e descendo escadas. No caminho ela pode ver uma porção de homens e mulheres pelo caminho, alguns atarefados limpando peixes, outros limpando o chão, correndo de um lado para outro... Já outros ficavam sentados. Um halfling sentado no chão, no meio do navio tocava uma flauta enquanto outros dois anões ouviam alegremente.



Descendo as escadas navio a dentro, o moço moreno segurou delicadamente no braço de Maia quando chegaram em frente a uma porta, a fazendo parar de caminhar. Maia olhou assustada para o homem, sem entender o que ele queria. Ele tirou do bolso uma tira de tecido negro, e lhe vendou os olhos, amarrando atrás de sua cabeça. Maia não ofereceu resistência. Depois de certificar que estava bem amarrado, delicadamente o homem baixou a venda, a deixando cair sobre o pescoço da jovem, como se fosse um lenço. Maia sem entender nada se conteve em perguntar o sentido daquilo, mantendo-se calada.



O homem abriu a porta, revelando uma sala não tão grande, sem muitos ornamentos. Na mesa havia uma cesta de frutas, queijo, carne seca e vinho. Sentado estava Senargh, com o mesmo olhar frio e ríspido, e ao seu lado em pé, um homem com o rosto coberto com um lenço negro que deixava apenas os olhos visíveis. Maia franziu a testa até que o reconheceu da noite passada, fora ele que havia adentrado o salão de festa e iniciado o grande ataque ao Trevo de Três Folhas, navio de Ladak. Lembrando-se da habilidade do homem, Maia tentou desviar o olhar; aquele homem lhe causava arrepios.



- Coma, negra. -disse Senargh apontando para as frutas sobre a mesa enquanto acendia o cachimbo de madeira.



Maia, mesmo receosa comeu, ainda que sem a menor vontade. A fome já havia passado, mas quando ela deu as primeiras mordidas na carne seca, sentiu como se não comesse a dias. O moço de pele morena sentou no canto da mesa e começou a comer junto, mas o silêncio daquela sala a estava matando, por isso, mesmo que ainda com vontade de comer mais, Maia parou, e olhou novamente para Senargh, mostrando que já estava satisfeita e pronta para o quer que fosse acontecer ali.



- Sente medo? -Senargh perguntou erguendo uma sobrancelha.



Maia certamente não sentia medo. Na verdade, embora a noite mal dormida e a dor de cabeça que sentia por causa da pancada de Mastro, em momento algum se sentiu em perigo. Mesmo que com as grosserias e indelicadezas de Senargh, ela se sentia segura por estar perto dele. Se ele era o Capitão do navio, então ela não tinha com o que se preocupar. Despreocupada e com certeza do que sentia, Maia sacudiu a cabeça negando com tranquilidade.



- Que bom... -ele disse. - O que vai acontecer aqui vai depender muito de você. Você pode me ajudar, ou não. Se não me ajudar, seu noivinho vai sofrer, mas se me ajudar, logo estará livre para viver sua vidinha medíocre.



Maia suspirou incomodada. Não por estar sendo feita prisioneira, mas sim pelo modo como Senargh continuava a tratá-la.



- Não creio que eu ainda queira que esse noivado seja duradouro. -ela disse bebendo um gole do vinho. - Mas sobre minha estadia aqui, não posso dizer o mesmo.



- O que você vai fazer com sua vida não é problema meu. -o velho respondeu com dureza.



Maia mais uma vez engoliu seco a resposta que acabara de receber, mas preferiu baixar o olhar e manter-se firme. Senargh olhou para o moço de pele morena, e fez um gesto com a cabeça, na direção de Maia. O homem se levantou, caminhou até a jovem e colocou a venda em seus olhos. Depois pegou em suas mãos e as juntou sobre as pernas da menina sentada, como se estivessem atadas por debaixo da mesa.



- Fique com as mãos assim. -ele orientou educadamente.



Maia consentiu com a cabeça, mesmo sem entender nada, e como sempre, preferiu não perguntar. Depois percebeu que o homem se afastara, e a porta novamente foi aberta. Pode ouvir mais passos, alguns tropeços e o barulho de uma cadeira sendo arrastada pelo chão.



- Digam o que querem. Eu posso pagar! -disse uma voz conhecida. Era Ladak, já implorando por piedade. "Fraco!", ela pensou. Até ela demoraria muito mais para começar a ceder.



- Maia Terrrani Anjhí e Lorde Ladak, cunhado do rei, não é mesmo? -disse Senargh com entusiasmo. - Bem vindos ao Quebra-Cascos e a tripulação do Capitão Diabo da Tempestade! Espero que seus aposentos sejam dignos de negros como vocês, e que a recepção daqui seja de seus agrados mesquinhos!



- Maia? Você está aqui também? -ele disse sacudindo a cabeça, como se tentasse ver por entre as vendas que certamente lhe cobriam bem os olhos.



- É... Eu estou. -ela disse com desânimo.



- Pelos Onze! -Ladak exclamou surpreso. - O que querem conosco?



- Com a viúva mais rica e com o mais novo Lorde da realeza? Suas agradáveis presenças certamente não é! -Senargh respondeu com sarcasmo, depois deu uma bela risada, rindo de seu próprio senso de humor. O homem de pele morena riu também, o que deixou Ladak ainda mais nervoso e com medo.



- Diga a eles, Maia. Diga que podemos pagar qualquer coisa. -implorou o Lorde.



Maia manteve-se em silêncio. Aquilo lhe parecia tão inútil e sem sentido. Se Senargh quisesse suas moedas, bastava pedir. Maia havia lhe proposto isso dias atrás.



Sua venda logo foi arrancada pelo homem moreno, que a olhava serio, como se implorasse para que ela percebesse algo que não tinha notado. Senargh a olhava em silencio, fazendo um gesto de desaprovação com a cabeça.



- Sim... Nós pagaremos qualquer coisa. -Maia disse sem vontade. Percebendo uma expressão de aprovação de Senargh, ela continuou: - Só por favor, não nos machuque!



Senargh sorriu, e o moço de pele morena fez um sinal de aprovação.



- Certamente, senhores! Digam: quanto precisam? -Ladak perguntou.



- Cinquenta! -disse Senargh.



- Cinquenta moedas por mim e cinquenta por Maia? Eu pago! -confirmou Ladak esperançoso e confiante.



- Cinquenta mil, meu caro... -disse o homem moreno.



- Mas eu não tenho tudo isso. Eu sou apenas cunhado do rei, não dono dos cofres do reino. Tudo que tenho é influencias, nada mais.



Senargh olhou para Maia, esperando por algo, e ela logo entendeu:



- Por favor, Ladak. Dê a eles o que eles querem. -ela disse fingindo estar desesperada. - Passei a noite sob a guarda de um orc terrível que ameaçava arrancar pedaços de mim com os dentes. Sabe-se lá o que mais eles farão comigo. - disse sorrindo, aproveitando-se que o Lorde nada via.



- Pelos deuses! -Ladak suspirou. - Cinquenta mil moedas de ouro por mim e por Maia, certo?



- Cinquenta por CADA um... A não ser que queira deixá-la aqui conosco. Certamente será muito bem tratada. -Senargh disse malicioso.



- Mas então serão cem mil moedas... -Ladak disse assustado com o valor - Maia pode pagar por si, não pode, querida?



Senargh olhou para Ladak com espanto, como se estivesse surpreso com o que acabara de ouvir. Maia entre abriu a boca, indignada com o egoísmo de seu mais novo noivo e disse:



- "Querido", você quer que eu fique aqui com esses monstros marinhos?



- Você sabe que não, meu amor. Mas eu não tenho como pagar por nós dois! -ele disse quase chorando.



- Vocês estão me irritando! -Senargh disse batendo com o copo na mesa de madeira. - Agora chega! Mudei de ideia: cem mil por cabeça!



- Não, senhor Capitão! -Ladak implorou. - Pagarei por mim e por Maia.



- Eu imploro, capitão. -Maia disse ainda dissimulando com um sorriso debochado no rosto.



Senargh levantou um dedo para Maia, pedindo atenção, e disse:



- Neonca, tire a venda dos pombinhos. Deixe que se vejam, pode ser a última vez.



Maia consentiu com a cabeça, e o moço moreno cobriu o próprio rosto com um lenço negro. Senargh fez a mesma coisa, então Neonca baixou a venda dos olhos de Ladak, que incomodado com a claridade, forçou a vista, tentando enxergar e compreender o que tinha ao seu redor. Depois olhou para Maia, viu o sangue seco na parte inchada da cabeça da jovem que franzia a testa com um ar de piedade e dor, e disse:



- Vamos sair daqui, querida. Não se preocupe.



Ouvir Ladak a chamando de "querida", "meu amor" causava-lhe náuseas. Não era natural... Estavam noivos não fazia nem um dia, e ele já a tratava assim, como se fossem velhos conhecidos, apaixonados e carinhosos um com o outro. Mas Maia precisava encarar isso como um jogo, e fingir que isso lhe soava com normalidade.



- Me proteja, Ladak. Não deixe que me machuquem, "querido". -ela disse friamente.



Ladak consentiu com a cabeça, e Neonca lhe cobriu novamente os olhos, o pegando pelo braço e tirando da sala. Quando o Lorde saiu, Maia suspirou aliviada por não ter que dissimular mais. Pegou uma fatia de queijo e mordeu emburrada.



- Pode-se ver o quanto seu noivo a ama, Maia Terrrani Anjhí. -Senargh disse com ironia. - Estava até negociando por sua liberdade. Que tipo de homem faz isso?



- O tipo que eu repudio. -Maia respondeu com desdém.



- Ah... E esperava que ele fosse como? Achou que ele fosse dar a vida dele em troca da sua? -disse Senargh, mesmo já sabendo da resposta.



- Francamente? Esperava que ele fosse mais homem, que ele resistisse um pouquinho mais, fingisse preocupação por mais tempo. -ela respondeu indignada.



- Nunca confie em ninguém, Maia Terrrani. -disse Senargh antes de beber mais um gole de vinho. - Agora saia daqui. Vá ser útil em alguma coisa. Aqui estão suas adagas. É melhor não tentar nada com elas. -finalizou a conversa entregando o par de adagas da jovem.



- Meu cobertor e minha couraça...? Nunca mais os terei, não é mesmo? -ela disse com pesar.



- Não, Maia. Seu diário e suas adagas é tudo que você tem. Agora saia daqui.



Maia se levantou, pegou as adagas e caminhou até a porta. Parou em frente a ela antes de sair, virou-se novamente para o velho com um sorriso de orgulho e disse:



- "Capitão Diabo da Tempestade", não é? Quem diria que eu teria essa honra? É um prazer estar aqui, mesmo que sendo refém. Saiba disso, Capitão.



Senargh tentou disfarçar um sorriso de satisfação, mas Maia fingiu não perceber e saiu pelo corredor, em direção a parte aberta. Precisava encontrar Neonca, e perguntar o que fazer.



Lá fora o dia estava bonito. Na parte de trás do navio, Maia percebeu que alguém a olhava sem receios. Quando Maia retribuiu o olhar, viu uma mulher de pele mais escura, provavelmente por conta do sol, estufou o peito, parando o serviço que fazia, olhando no fundo dos olhos de Maia, como que a desafiando. Maia a olhou com desdém, e seguiu andando em direção a proa. "Que figura de proa teria o Quebra-Cascos"? ela se perguntou por um instante, e foi isso que ela resolveu descobrir. Passou por um homem careca sentado ao chão limpando peixes, que mal a olhou, e continuou seguindo, olhando com curiosidade tudo ao redor. De longe, uma meia elfa a observava. Depois da mulher morena que a lançara olhares desafiadores, esta seria a moça mais bonita do navio, talvez por parecer ser a mais jovem. Outras duas mulheres de pele branca -uma de cabelos encaracolados e cor de ferrugem, e outra de cabelos negros e pele tão branca quanto a espuma do mar - também a encaravam, mas estas com mais curiosidade do que tudo.



Maia entendia que era uma espécie de intrusa naquele navio. A não ser Mastro e Neonca, ninguém havia a tratado bem; isso sem levar em consideração que Mastro havia lhe dado uma pancada na cabeça na noite anterior. Não que ela precisasse de mimos, mas ela se sentia cada vez mais desamparada e sozinha. No Trevo de Três Folhas, Maia já havia se acostumado com a presença constante de Senargh. Na verdade, ela nunca havia ficado realmente sozinha. Em casa, estava sempre cercada de brancos, que lhe serviam o tempo todo. Quando não isso, tinha Cachorro, com quem passava a maior parte do tempo brincando e conversando. Mas agora, naquele navio, ela sabia que não podia contar com ninguém, e qualquer passo em falso poderia lhe causar muito mal, ainda mais agora que  ela sabia que Senargh não gostava dela, nem de negros.



Ao chegar na proa, pode ver um grande martelo, que parecia feito de ferro enfeitando o navio. Era a figura de proa mais inteligente que ela poderia pensar.



- Entendeu agora porque ele o chamou de Quebra-Cascos? -disse uma voz vinda de suas costas. Era Neonca, se encostando próximo a figura.



- É funcional mesmo, ou apenas um símbolo? -ela perguntou curiosa.



- Feito de ferro fundido, essa figura já destruiu alguns navios reais por esse mar adentro... -ele respondeu sorrindo enquanto dava algumas batidinhas na figura.



Maia retribuiu o sorriso, ainda admirada com a estratégia do Capitão.



- Não nos apresentamos formalmente. -disse o rapaz moreno. - Sou Neonca Durú. Pode-se dizer que sou a voz do Capitão aqui...



- Maia Terrrani Anjhí. -ela respondeu com humildade. - Apenas uma negra, as vezes com sorte demais, as vezes com azar demais... -concluiu com certo humor.



- Suponho que neste momento o azar esteja sobreposto a sua sorte... -ele arriscou.



- Isso vai depender do Capitão. Até então creio que a sorte esteja do meu lado.



- E o que é a sorte para a senhora? Estar viva e solta aqui? -Neonca perguntou interessado.



- Também... -Maia respondeu com simplicidade, sem querer entrar em detalhes.



- Bom... -Neonca suspirou. - Conhecendo o Capitão, por ele ter lhe mostrado o rosto, das duas uma: ou você ficará conosco, como parte da tripulação do Quebra-Cascos, ou ele vai te matar. Eu, sinceramente preferia que você ficasse. Matar a senhora seria um desperdício.



Maia suspirou, e por incrível que pareça, a resposta de Neonca lhe agradou. A esperança de poder fazer parte da tripulação do Diabo da Tempestade lhe deixava contente. Neonca, retomou postura energicamente, e disse:



- Bom... Aqui, se tem uma coisa que você deve fazer, é ser útil em alguma coisa. Todos aqui tem suas responsabilidades, e quem fica sem nenhuma é peso morto, ou seja: não merece estar aqui!



- E o que eu devo fazer? -Maia perguntou.



- Você pode limpar peixes com Werdty. Ele é meio calado, por isso pode até ser uma companhia agradável. -disse apontando para o velho careca sentado no chão. Tem também a Inroléu, que sempre precisa de ajuda para esfregar o chão, e tirar a sujeira do lado de fora do casco do navio. -disse apontando para a mulher de pele bronzeada que havia lhe encarado a alguns minutos atrás. - Essa parte, a de tirar a sujeira do lado de fora do casco exige uma certa habilidade, mas você pode aprender fácil.



- Não creio que seja uma boa ideia uma tarefa tão arriscada ao lado desta senhora. -Maia disse com certa ironia.



- Inroléu? -Neonca perguntou sem surpresa. - Ah... É... Melhor não mesmo! Se você ficar aqui, com o tempo ela se acostumará com você. Ela é uma boa moça, vai gostar dela quando a conhecer. Mas é melhor deixar isso pra depois.



Maia concordou com a cabeça, e continuou seguindo junto com Neonca. Inroléu continuava a lhe lançar olhares, mas Maia fingiu não perceber.



- Iridra, Irma, Inroléu e Ihdalarin são todas irmãs. São conhecidas aqui como "As Quatro Filhas de Iridor". Cada uma, filha de uma mãe diferente. -explicou o moço com certa graça no que contava.



- Capitão Iridor, o Pirata Austero? -Maia perguntou surpresa.



- Sim, ele mesmo! -Neonca disse sorrindo. - O Capitão Iridor e o Diabo são grandes amigos, tanto que Iridor lhe cedeu quatro de suas filhas para a tripulação. Ele tem muitas filhas, mas como sua esposa preferida navega junto com ele, ele deixa no navio apenas as filhas que tem com ela.



- Quer dizer que a ruiva, a morena branca e a meia elfa são todas irmãs, filhas de Iridor? -Maia perguntou surpresa com a variedade de raças vindas de um mesmo pai.



- Sim... E não se esqueça de Inroléu. -Neonca completou. - Mas como eu ia dizendo, se você tiver braços fortes, o que não me parece seu caso, pode ajudar com as velas.



Maia fez que não com a cabeça, e continuou andando.



- Tem também o Pé de Pino. Ele é o cozinheiro do navio. -sugeriu o homem moreno, como se tivesse se lembrado repentinamente do homem de quem falava.



- Eu entendo um pouco de culinária, ervas, temperos... Sou uma Terrrani. Se tem algo de que entendo, são ervas e temperos! -Maia disse animada.



- Ótimo! Fique então por esta manhã com Pé de Pino na cozinha. Vou te levar até lá. -Neonca disse voltando na direção da proa.
***

 Gostou? Não se esqueça de comentar; afinal, blogs se alimentam disso!
E para ficar por dentro da história de Maia, não deixe de ler A Maldição da Lua Negra - Parte 8!

Um comentário: