quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A Maldição da Lua Negra - Parte 5





O livro é fechado e aberto novamente nas páginas mais a frente.



"Amanhã é o grande dia e eu estou tão nervosa... Tenho medo que algo dê errado e que na hora eu desista. Sei que o Andi também está nervoso, ele disse isso nas cartas que me enviou... E se na hora ele desistir? Nas cartas ele disse que tudo estava saindo como planejado. É claro que ele não pode escrever muita coisa sobre nosso plano, afinal, eu passei um ano viajando, e todas as cartas foram entregues ao papai e eu só pude as ler quando voltei.

 Cheguei ontem aqui na capital, e já estava tudo pronto. Vestirei um vestido cor de prata, como Celune gosta, e tenho que admitir que me senti como uma princesa. Mamãe passou o dia me falando um monte de coisas que me deixaram envergonhada. Ficou explicando como deixar um homem feliz, mantendo sua fidelidade. É claro que mamãe entende disso, afinal, papai nunca se casou com outra, e isso deixa muitas amigas de mamãe com inveja, porque mamãe é a mulher mais bonita da cidade e papai é um dos melhores partidos, e mesmo assim, nunca se interessou em possuir outras esposas, mesmo que mamãe nunca tivesse lhe dado um filho homem. É claro que eu tive que ouvir um monte de coisas que eu não precisava, e a maioria delas eu realmente não queria ter ouvido, pois eram muito íntimas e eu não vou precisar disso... Mamãe, Azuth e minhas outras irmãs estavam todas em meu quarto, dizendo como eu deveria agir em todas as situações possíveis, mas mesmo constrangida com tanta informação, eu sabia que aquilo era o melhor pra mim, pois me senti feliz de ver mamãe empolgada e alegre. Ela está mais entusiasmada que eu, e fica me paparicando o tempo todo. Também foi bom passar o dia com minhas outras irmãs. Sei que não temos muita intimidade, mas sei que elas gostam de mim e ficam alegres de me ver feliz."




"Com um vestido prata, da cor de Celune eu me encontrei com Andi no altar. Ele parecia mais alto, e estava bem vestido e alegre. O sacerdote falou sobre o amor, e juramos em frente à todos amor e lealdade. Dediquei meu casamento à Celune, e pedi que eu fosse feliz. Depois Andi me beijou. Eu sabia que isso acontecia nos casamentos, mas não esperava nem estava preparada para ser beijada por ele naquele momento. É claro que eu o retribuí o beijo, e novamente senti um frio no estômago. Acredito que na hora eu corei de vergonha... Mais tarde ele ficou rindo de mim e dizendo que eu havia adorado o beijo, mas eu disse a ele que ele beijava mal, e que eu não havia gostado; mas confesso à Celune que menti.

Azirráh estava lá também, e parecia estar bem e contente por Andi. Ele pouco falou comigo, mas foi muito gentil e me deu os parabéns. Recebemos de presente de casamento de Azhab e Azuth uma bela espada de marfim. Ele disse que ela era decorativa, mas eu sei que nas mãos de um bom artesão, ela pode ser afiada. Papai disse que aquilo era um presente muito valioso, e que devia custar quase vinte e cinco mil moedas de ouro. Andi adorou o presente e disse que vinte e cinco mil moedas de ouro é suficiente para comprarmos um navio.


Depois da cerimônia teve uma linda e grande festa. Dancei muito, e Andi também se divertiu. Bebemos licores e tivemos que ficar algum tempo juntos, como fazem os casais. É claro que foi tudo um teatro, e eu fiquei com muita vergonha quando ele pegou em minha mão. Sinceramente, acho que o Andi mudou muito nesse meio tempo, e eu não estava preparada para isso. Tive a verdadeira impressão de que ele gostou desse casamento mais do que deveria.

Agora que a festa já acabou, devo ir dormir. É estranho pensar que de agora em diante eu irei ficar em uma casa sozinha com Andi. Sei que nos divertiremos muito, pois somos amigos, mas ainda assim viveremos com alguns servos, e eles não poderão desconfiar de nada. Só poderemos ser livres de verdade quando formos viajar com tio Wee. A casa é enorme e foi decorada pela mãe de Andi que é muito caprichosa e detalhista. Vou agora me deitar... Este dia foi um dia bem cansativo. Amanhã pretendo sentar e planejar com Andi nossa aventura.



Boa noite Celune, minha amiga. Estou certa de que cuidará bem de minha vida. "



Algumas páginas são passadas rapidamente.



"Hoje passei uma tarde muito agradável com papai, que veio nos visitar. Faltam cinco meses para a Noite de Celune, e ele faz questão que passemos juntos. Será ótimo, pois será neste dia que daremos início aos planos...

Direi ao papai que quero trazer tio Wee para perto da família, e o inteirar dos negócios. Andi já deixou tudo certo: levaremos alguns animais para vender um uma famosa feira que acontece anualmente, e de lá, seguiremos rumo ao desconhecido. Eu disse que quero expandir os negócios, ir atrás de novas iguarias, ir aonde nenhum Terrrani jamais foi. O pai de Andi já está a par disso, e Azirráh irá junto. Isso pode nos atrasar um pouco, pois estou certa que Azirráh não vai querer que a gente desvie nossa rota, mas Andi disse que se encarregará de dispersar Azirráh. Levaremos também o Branco, o servo pessoal de Azirráh para que nos proteja. Acho isso desnecessário, pois se tio Wee vai conosco, não precisaremos de um segurança. Tio Wee é um caçador, ele mesmo cuidará de nós, mas levar o Branco conosco é uma exigência do pai de Andi, pois ele é muito bom com a espada e é esperto, podendo nos defender de qualquer perigo. Não poderemos levar muito ouro, pois não podemos levantar suspeitas, por isso vamos levar nossa espada de marfim, caso precisemos.



Estou muito ansiosa."



"Papai está contente com o ingresso de tio Wee nos negócios... Ele disse que eu sou muito esperta e fica muito orgulhoso de mim por isso. Pobre papai... Não queria ter que enganá-lo, mas é melhor assim. Tio Wee no começo não queria aceitar que eu e Andi viajássemos com ele, muito menos patrocinar sua viajem, mas depois de ver papai feliz, e de saber que eu e Andi nos casamos apenas para isso, acho que ele se viu impelido a dar continuidade ao plano."



"Hoje foi nosso primeiro dia de viajem. Não sei porque tio Wee insiste em levar este rotér velho junto conosco. Ele é lento, e não serve para nada. Azirráh não cala a boca, e só sabe reclamar que assim a viajem custará o dobro do tempo previsto. Na verdade Azirráh está certo, mas se meu tio diz que isso é necessário, então deve realmente ser. Não gosto de contrariar meu tio, afinal de contas, de todos nós, ele é o mais experiente, e com certeza sabe o que está fazendo. Tio Wee disse que o rotér velho dele custa mais que todos os rotér que estamos levando conosco. Também achei estranho, talvez tio Wee esteja enganado, mas não questionarei."



"Já fazem alguns dias que estamos viajando. Chegaremos amanhã cedo na feira. Até agora não tivemos nenhum infortúnio pelo caminho, graças aos deuses!

Agora eu entendo o porquê que tio Wee trouxe este rotér velho. Durante o caminho até aqui, tio Wee só o alimentava com sementes de tomate azul. Isso não fazia o menor sentido, afinal, essas sementes são caras, e se você comer apenas essas sementes, ficará com o intestino preso. Mas tio Wee, mesmo sabendo disso, não deixava o rotér comer outra coisa, senão as benditas, -e devo dizer deliciosas também, sementes de tomate azul. Mas hoje, um pouco antes de levantarmos nossas barracas para descansar, tio Wee deu ao animal Hongo , justo o cogumelo que causa uma grande dor de barriga. O animal deu mais alguns passos, e pude ver um certo alívio em seu olhar antes dele sujar o chão. Tio Wee correu e começou a mexer na sujeira do animal, até que encontrou um vidro com um líquido vermelho dentro. Tio Wee explicou que o intestino de um rotér tem a temperatura perfeita para a fermentação de um licor. Como o rotér come de tudo sem mastigar a maioria das coisas, é fácil fazê-lo engolir um frasco de licor. Depois é só manter o licor lá dentro por uma semana, e isso se consegue com as sementes de tomate azul. Quando pronto, é só esperar o licor sair, e poderá vendê-lo por até quinhentas moedas de ouro. A qualidade do licor é realmente magnífica!

Tio Wee é mesmo um gênio!"



"Quando fores caçar, sempre entregue a caça nas mãos do contratante! Acho que essa foi minha primeira lição como caçadora.

Hoje quando estava pela feira, encontramos com um mago da Escola de Magia. Ele havia perdido seu omúnculo, e pediu para que procurássemos para ele. Poucos sabem, mas omúnculos nunca ficam muito longes de seu mestre. Para que possam ser livres, eles geralmente precisam levar consigo alguma parte do mestre, por isso deduzi que ele estaria a espreita do mago, para poder roubar algo.


Fiquei algumas horas de olho na barraca do mago, a espera do omúnculo. Andi foi seguir o homem que havia comprado nosso licor, pois o licor era muito doce, e omúnculos adoram coisas doces. Tio Wee saiu em busca de pistas pela redondeza. Mas é claro que eu, com toda minha sorte foi quem deu de cara com a criatura. Estava disfarçada de mulher, e mexia na fogueira em frente a barraca do mago. Eu corri atrás daquela coisa, e tentei laçá-lo com minha corda, mas ele me lançou uma magia, e eu caí. Por sorte -ou azar, a correria que fizemos acabou chamando muito a atenção de todos, e o mago estava perto, capturando o omúnculo. Eu estava muito satisfeita, afinal, havíamos conseguido capturar a criatura... Mas o mago se recusou a pagar, e disse que eu não havia feito nada. Fiquei muito triste, mas tio Wee disse que é assim mesmo. O dever de um caçador é entregar sempre a caça nas mãos do contratante, caso contrário, ele não pagará."



"Estamos acampados na entrada do Vale dos Ossos... Mal posso acreditar! Celune, obrigada! Me sinto tão grata e feliz... O mago disse que está em uma missão para o Rei, e que precisa de nossa ajuda. Ele está estudando uma certa peste que vem devastando os brancos. Chama-se Peste Amarela. Pouco se sabe sobre ela, por isso ele criou este omúnculo. Precisamos apenas descobrir algum contaminado e transmitir a peste para a criatura. Assim o mago poderá estudar a peste e encontrar uma cura. Ele disse que é uma missão importante, solicitada pelo Rei em pessoa. Se a gente o ajudar, ele garantiu que nossos nomes serão escritos no livro de honra do reino. Azirráh ficou bastante empolgado, e aceitou logo de cara. Ele quer que o Sr. Anjhí tenha orgulho dele, e é claro que ele conseguirá assim. Andi nem precisou fazer nada, e no final, quem acabou tentando nos convencer a mudar a rota de viajem, foi o próprio Azirráh. É claro que eu e Andi aceitamos sem questionar, mas tio Wee parecia preocupado.


Também estou contente por ter comprado alguns animais na feira. São animais exóticos que vem de Samntra, e..."



Páginas são viradas.



"Hoje eu vi gigantes! Eu nunca os tinha visto, e confesso que fiquei espantada. Vimos eles de longe, e tio Wee montou em um grifo e foi na frente, para distraí-los para o outra direção enquanto passávamos. No caminho, encontramos uma caverna, era uma toca de gigantes. Andi apostou comigo que eu não tinha coragem de entrar lá, mas é claro que eu sou corajosa! Quando entramos, nos deparamos um um gigante fêmea, que dormia profundamente. Ao redor estava cheio de coisas: panelas, mochilas, e todo tipo de coisas variadas. Encontrei um ovo. Não sei de que era, mas eu peguei. Depois Andi pegou carvão, e silenciosamente desenhou um bigode no rosto da gigante. Foi muito engraçado, e ela nem acordou. Saímos de lá rindo bastante. Azirráh ficou furioso, mas não contou nada ao meu tio. Também não contarei nada, mas estou curiosa para saber de que animal é este ovo. Só tio Wee saberá responder, mas se eu perguntar, terei de explicar como consegui."



Ele escuta barulhos na porta. Fecha o livro rapidamente e coloca ele dentro do baú em frente a cama, junto com os outros pertences pessoais da jovem menina antes que seja visto.



*CONTINUA*


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Parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.
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4 comentários:

  1. Maia e Andi são o casal mais fofo dessa Zolkan mds *-*

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  2. Concordo plenamente com a Ursula *-* é muita fofura pra um casal só...
    Ansiosa pela próxima parte, será que Maia desconfiará que ele leu? OMG preciso ler logo!

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  3. Adoro o colorido especial desse lugar, sempre me deixa curioso a respeito dele =D E o final foi um plot twist interessante, mostrou que as coisas no presente não estão tão tranquilas quanto parecem. Só fiquei me perguntando como seria a aparência de um rotér.

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