terça-feira, 12 de novembro de 2013

Como ficou Lunah -End Game

Abandonei Caius, e isso me doeu. Sei que não podia segui-lo.Sair por aí salvando mundos não é o que eu quero pra mim. Talvez, se eu não tivesse Anadon, provavelmente iria com Caius. Mas não... Meu mundo está aqui.

Fui suja, fui falsa, um monstro, traí muita gente, fiz muita merda... Depois que eu acordei da morte, não quero que saibam que estou aqui de volta. Agora sou uma lembrança, uma boa lembrança... Alguns acham que salvei o mundo e me chamam de heroína. Nunca imaginei que lembrariam de mim assim e eu prefiro que isso permaneça. Como uma lembrança, uma boa lembrança...


Tenho tudo que preciso aqui. Bar-Anadon, Flora e Anadon... Viver nessa ilha, na paz e calmaria me deixa feliz, mas toda manhã, ainda posso ver minha mesa cheia de gente: Kiara, Daerguel, Mitaro, Soule, Trúvalum, Guilford... Tem mais alguém, mas não vejo seu rosto. Sei que ele está lá... Sei que aqueles momentos jamais serão esquecidos. Aquelas manhãs foram as melhores da minha vida.

Talvez um dia eu caminhe até lá novamente... Talvez eu fique só de longe observando a todos e vendo como estão felizes e como seguiram com suas vidas. Mas antes eu preciso de paz. Essa paz que eu nunca tive. A paz de acordar e ver Anadon dormindo e saber que na outra manhã eu farei isso novamente, sem medo de perdê-lo. A paz de quando me sentar a mesa de manhã, planejar como será a pesca, e não como destruir famílias inocentes.

Quando subi naquele navio em direção a esta ilha, pela primeira vez não senti medo do mar. Pela primeira vez não lembrei de Anadon morto, nem fiquei receosa com tritoes ou coisas do tipo. Essa ilha não é minha terra natal, está longe de Zigurat. Mas aqui eu tenho um lar e deixarei isso aos meus filhos quando eu morrer.

Na parede de meu quarto tem um retrato meu. Não é só uma pintura narcisista, é uma lembrança de quando eu estava em Fathala, resolvendo assuntos de guerra, na época em que eu era uma aventureira anônima. Quem olha para o retrato não consegue ver, mas eu vejo a cidade por trás de meu rosto. Vejo Anadon e Trúvalum voltando com uma comida estranha. Vejo o castelo de longe, vejo os templos e o nervosismo e ansiedade de resolver rapidamente nossos problemas.

Essas lembranças me deixam felizes, e elas são revividas todas as noites, quando coloco meus filhos para dormir enquanto conto histórias de aventureiros que um dia salvaram o mundo.


Mesmo que todos pensem que eu morri, gostaria que soubessem que eu estou bem. E mesmo morta eu estaria bem. Mas sabem como é: eu não quero morrer, eu gosto da vida, gosto de viver, por isso voltei. Prometi aos "Senhores do Destino", como gosto de chamar, que nunca mais salvaria o mundo. Provavelmente não salvarei mesmo, mas Caius sabe que se precisar de mim aqui, nesse mundo, estou pronta para usar minha espada novamente. E os Senhores do Destino? Ah... Esses são mais alguns para entrar em minha lista de "enganados por Lunah". Até porque, se antes meu mundo era Anadon, agora ele cresceu duas vezes mais!

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