domingo, 3 de novembro de 2013

A mansão - Parte 3



Dimitri seguiu Baratz, que caminhou até uma parte mais escura do jardim, em direção ao bosque. Andaram por quase trinta minutos, até chegar próximos a uma rocha. Havia um nome grafado na rocha, e flores na grama. Dimitri entendeu que aquilo era o túmulo de alguém.



- Quero fazer uma proposta: sua adaga por um segredo.



- Que segredo? -ela perguntou.



- Se me der sua adaga, eu contarei.



Dimitri pensou... Era curiosa, e agora a adaga estava inútil.



- Certo. -ela disse.



- Este era o avô de meu pai. -disse Baratz apontando para o túmulo.



- Este é o segredo? -Dimitri perguntou confusa.



- Era considerado o melhor assassino de todo o continente. Foi ele quem deu origem a tudo. Se hoje somos a melhor família de assassinos, é graças a ele! Mantemos esse renome por ele.



- Como ele morreu?



- Em tempos difíceis, foi pedido que ele matasse um necromante poderoso. Ofereceram grande quantia em moedas, era irrecusável. -Baratz fez uma pausa, e depois continuou. - Ele estudou o necromante, e quando estava pronto foi até ele. Infelizmente ele não sabia o tamanho do poder deste necromante, e quando ele o matou, morreu também.



Dimitri ouvia a tudo com atenção, e preferiu não interromper Baratz com perguntas.



- A mão e o olho deste necromante eram sua maior fonte de magia. Com o olho ele era capaz de prever tudo relacionado a ele, e com a mão que ele executava as mais poderosas magias, por isso, quando o necromante morreu, arrancamos sua mão e olho e guardamos, para que ninguém jamais posse portador desse poder. Seu corpo foi queimado e o medalhão que ele usava, enterramos aqui, junto com o corpo de meu ancestral, como troféu. Este necromante se chamava Vecna.



Agora, para Dimitri tudo fazia sentido. O velho que ela via em sonho, sempre dizendo os perigos que ela encontraria mais a frente, prevendo seu futuro. Foi este mesmo velho quem mostrou em sonho a ela o lugar onde estava escondido a adaga. Este velho era Vecna!



Para Dimitri, a troca com Baratz havia sido um bom negócio. Agora ela sabia com quem estava lidando.



Quando entrou em seu quarto para dormir, viu que tinha alguém sentado em sua cama.



- Já é tarde, seu Ivo. Estou cansada... Sem gracinhas por hoje. -disse Dimitri, que já estava acostumada a expulsar Ivo de seu quarto.



- Já se esqueceu de mim, Dimitri? -respondeu uma voz familiar. Era Vecna.



- Então é você... Vecna!



O velho deu uma risada e se levantou. Dimitri fechou a porta e se sentou na cama.



- O que quer desta vez?



- Quero que vá embora deste lugar e leve consigo algo que é meu.



- Sua adaga? -Dimitri perguntou.



- Não... A adaga é sua, eu te deu, esqueceu? Quero meu medalhão.



- E o que eu faço com ele?



- Não use ele. Você o entregará a primeira pessoa que te pedir. Só use em caso de emergência, quando não houver mais saídas.



- Não posso ir embora daqui, Vecna. Gosto daqui.



- Quer ficar por causa do garoto, não é? Mas permita que eu te lembre uma coisa... Quando eu disse para pegar aquele navio sozinha ou todos morreriam, você levou o anão.



- ...e ele morreu. -completou Dimitri.



- Agora digo que deve ir embora. Amanhã, pela madrugada pegue meu medalhão e vá embora com um grifo.



- Sinto muito, Vecna. Mas não posso ir.


Vecna sorriu, e sumiu. Dimitri acordou com o sol batendo em sua janela.

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