segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A arma secreta do anão Ablon - Parte 1




“Estávamos no subterrâneo, perto de Mercantia. Éramos nove, contando comigo. Duas fêmeas no grupo, isso significava boa sorte. A gente estava com fome... Sabe como é: tempos difíceis para um bando de goblins.

Foi quando vimos um anão caído no chão. Faltava-lhe uma das mãos, alguém já devia ter comido antes. Levamos ele amarrado até o local da fogueira. Quando estávamos preparando tudo ele acordou. Tinha o rosto queimado na parte da boca, era muito feio!

- Socorro!!! Por amor aos deuses, me libertem, eu imploro! –ele gritava.”

- Ah, Meia Pata. Conte isso direito. Um anão implorando pela vida? Tem certeza? –questionou Kailla.


“- Goblins... Me soltem e eu ajudarei vocês –disse o anão.

- Não deem ouvidos à ele. Dá azar falar com a comida... –disse o goblin alfa.

- É... Dá azar falar com a comida! Não fale com a comida, seu tolo! –gritou a goblin fêmea.

- Não vou falar com você, comida! –eu disse.

- Sou um mensageiro. Vim trazer uma mensagem importante das terras de cima. –disse o anão.

- Não fale com a comida! Não fale com a comida! –disse a outra fêmea, que era um pouco mais fraquinha.

- Olha! A comida ainda tá falando... Pare de falar, comida. –reclamou o outro.

- Trago a mensagem que pode mudar a vida de vocês, goblins: vocês correm perigo! Todos vão morrer! –continuou o anão, parecendo calmo.

- Hahaha! –riram todos os goblins.

- A comida acha que pode enganar a gente... –disse a fêmea.”

- Não... Para! –interrompeu Kailla. – O anão começou a conversar com vocês?

Meia Pata fez que sim com a cabeça.

- Não acredito! –disse Kailla.

- Vai me deixar contar ou não? –perguntou o goblin indignado com a falta de credibilidade em suas histórias.

Kailla fez que sim com a cabeça, e Meia Pata continuou.

“Foi quando o maldito anão conseguiu a atenção do mestre:

- Zalgo está vindo para Mercantia. Ele virá e nós temos que nos unir.

- O que é Zalgo? –perguntou o mestre.

- Zalgo é um dragão. O maior dragão de todos! –disse o anão arregalando os olhos.

- Mestre, o senhor acredita nele? –perguntou um de nós

- Zalgo... É de comer? –eu perguntei. Minha barriga roncava.

- É!!! –gritou o anão aleijado. – Podemos comer Zalgo. Também estou com fome!

- Não, não... Má ideia, mestre. –disse o goblin mais alto.

- Quieto! Deixe o anão falar mais... –disse o mestre.

- Zalgo é apetitoso... Eu também quero comê-lo! Posso aju...”

- Chega, Meia Pata. Assim já é de mais! Ou você conta a história certa, ou avisa que tá mentindo... –disse Kailla.

- Mas é verdade! Eu tava lá!

- Continue... –disse Kailla sem acreditar no goblin.

“ [...]- Zalgo é apetitoso... Eu também quero comê-lo! Posso ajudar vocês! Posso trazer Zalgo aqui! –disse o anão com um sorriso esperançoso no rosto queimado.

- Mas mestre, eu to com tanta fome... –reclamou a fêmea magricela.

- Que gosto tem Zalgo? –perguntou um de nós?

-  Tem um gosto maravilhoso, o melhor gosto do mundo!

- É melhor que carne de elfo??? –perguntou a outra fêmea.

- Muito melhor que elfos... Elfos são magrinhos, nem tem tanta carne, mas Zalgo... Zalgo é grande!

- Qual o tamanho de Zalgo? –perguntou o mestre.

- Tem o tamanho de uma cidade. Vai sobrar comida se me deixarem pegar ele.

- O que acham, turma? –perguntou o mestre.

- Eu quero Zalgo, mestre. Zalgo é bom... –disse a fêmea magricela.

- Nós pegar Zalgo e depois comer!!! –gritou um goblin com sotaque estranho.

- Mas eu to com tanta fome... –reclamou a outra fêmea.”

- Não acredito! Vocês pretendiam comer um dragão? Acreditaram nisso? –perguntou Kailla.

- O anão tinha um plano! E... Bom... A gente estava com fome!

- Qual era o plano dele?

- Ele tinha uma arma secreta! Mas não vou contar mais! Você não acredita em mim mesmo! –disse Meia Pata com pirraça.


- Chato! A história, mesmo que mentirosa, estava interessante...

2 comentários:


  1. - Nós pegar Zalgo e depois comer!!! –gritou um goblin com sotaque estranho.

    To chorando.

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