sábado, 26 de outubro de 2013

Um pouquinho de Dimitri - Parte 3



Cravei  a adaga no chão, e afundei minhas mãos na terra. Eu estava inconsolável. Não conseguia fazer, não conseguiria permitir que alguém fizesse. Killua não poderia morrer, e isso não era uma escolha!


Peguei minha adaga novamente. Eu precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa!


Se tinha algo dentro de mim, era apenas a certeza de que ele não morreria. Dentro de mim corria vida, e era a vida que ele perdia aos poucos.

Cortei meus pulsos sem pensar e banhei Killua com meu sangue. Joguei meu sangue em seu ferimento, fiz ele beber meu sangue. Meu sangue era minha vida, e minha vida era ter ele comigo.


Bar-Cóleron correu em minha direção para me ajudar. Eu estava fraca, eu estava morrendo. Mas eu morreria mil vidas para salvar a de um irmão. Eu daria minha vida pela de Killua, e foi isso que tentei fazer.


Jarráh gritava pedindo ajuda. Com o tempo, eu apenas via seus rostos desesperados gritando, olhando de um lado para outro, mas não ouvia som algum, apenas o silêncio.


O sono veio de modo sedutor, e eu me entreguei a ele sem medo. Sabia que estava morrendo, mas não me preocupava com isso. Killua foi meu último pensamento, e eu adormeci da maneira mais profunda de todas.


Quando acordei, estava no lugar mais verde que já vi. Era o mais belo bosque.


- Killua! -eu gritava enquanto caminhava.


Andei por um tempo, e sem encontrá-lo, me sentei no chão.


Uma pantera se aproximou de mim e se sentou ao meu lado. Olhei para ela e disse:


- Sabe onde está Killua?


A pantera me ignorou. De longe vi uma elfa vestida com um vestido de ceda cor de rosa. Ela olhou pra mim e disse:


- Você não pode mudar o futuro. Quando as coisas acontecem, deve simplesmente aceitar.


- Eu nunca vou aceitar perder o Killua! -eu respondi.


Eu sabia que aquela era a Grande Mãe, mas naquele momento não me senti amada, nem confortada. eu precisava salvar Killua.


- Você não pode fazer isso. Não pode mudar o destino! -ela disse enquanto tudo ao meu redor sumia.


Quando acordei estava deitada em uma cama. Estava limpa, Bar-Cóleron estava sentado em uma cadeira ao meu lado.


Nunca saberei se aquilo foi um sonho ou se aconteceu mesmo, mas prefiro acreditar que eu vi e estive ao lado da Grande Mãe.


- Killua! -foi a primeira coisa que eu disse.


Bar-Cóleron levantou depressa da cadeira e veio até mim. Ele sorria.


- Você acordou! -ele disse com felicidade.


Killua havia ido embora já fazia dois dias. Eu estava dormindo por sete dias. Disseram que ele parecia bem, e que o sangue de orc não havia o afetado.


Me senti feliz, mas triste ao mesmo tempo. Sem Killua eu me sentia sozinha.


Lembrei-me dele me pedindo para fugir. Talvez eu tivesse feito a escolha errada, talvez não.


Olhei para Bar-Cóleron feliz por minha vida e percebi que eu não estava sozinha. Naquele momento eu soube que enquanto houver um elfo das montanhas vivo, eu nunca estarei sozinha.


Eu sorri para Bar-Cóleron, e isso me deu forças.


Agradeci a Grande Mãe por tê-lo comigo, e continuei.


Eu sabia que Killua uma hora ou outra voltaria. Da mesma forma que eu sentia a falta dele, certamente ele sentia o mesmo por mim. Eu só podia esperar e me preparar para as batalhas que ainda estavam por vir.

2 comentários:

  1. "Você não pode fazer isso. Não pode mudar o destino!"

    Ela estava certa! Olha só como o Killua ficou depois disso!

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