domingo, 6 de outubro de 2013

A morte de Mitaro - O nascimento de Mitaro Saazita



A chegada do Rei Ark e seus  vassalos Mitaro e Kiara já havia sido conturbada na cidade brilhante, isso pelo péssimo conselho de Lunah, que disse nos portões:
- Vista sua coroa, Ark. Você é Rei, e não um qualquer.
Lunah podia ser a mão do Rei, mas desconhecia os hábitos e costumes reais. Chegar cavalgando em pegasus já significava que estavam chamando muita atenção, mas dizer aos soldados dos portões que era o Rei de Zigurat foi o ápice. Isso porque haviam acabado de rejeitar a proposta de aliança com os reinos de Galiót, e se aliado com Aziót, o reino inimigo. O que não esperavam era que o príncipe de Galiót, noivo da princesa de Mercantia  estava lá, e todos já sabiam que o Rei Ark tinha interesse de se casar com ela também.
Kiara se retirou para a taverna do anão Jarráh. Mitaro foi procurar por arcos na feira livre. Lunah e Ark foram para o castelo, seguindo as ordens do soldado.
- Não é bom que o Rei de Zigurat fique passeando pela cidade. -disse o Mestre das Armas de Mercantia logo depois que Ark e Lunah entraram nos portões do castelo. - Recomendo que faça o que tem que fazer e se retire.
- Sem problemas, meu Rei. -disse Lunah para Ark. - Posso resolver sozinha seus assuntos e depois volto para seguirmos de volta. Fique no castelo.
Lunah subiu novamente no pégasu e saiu dos portões.
Ark foi bem recebido no castelo, afinal a falsidade da realeza é bastante comum nesse meio. Principalmente quando se trata de Muriella, a princesa de Galiót e representante do reino.
Quando Ark se sentou a mesa do banquete matinal, pode ver a princesa Beyerevra Raymoon de perto. Ao seu lado, na cabeceira da mesa, seu pai, o Rei Gaell II. Ao lado de Beyerevra estava sentado o belo príncipe de Galiót, e a frente do príncipe, do outro lado da mesa, Muriella. Ark se sentou ao lado de Muriella, de modo que ficasse de frente para a princesa de Mercantia.
A princesa Beyerevra parecia interessada nas histórias de conquistas de Ark. Perguntou sobre como foi a conquista de Zigurat, sobre os atentados que ele havia sofrido e escapado de maneira explêndida. O incômodo de Muriella estava visível. Quando a jovem princesa perguntou o que fariam pela tarde, Muriella logo se pronunciou opinando:
- Vamos nos divertir. Jogos, talvez... Quem sabe uma arena? Trouxe um campeão, certo Ark?
Ark não tinha um campeão. Esse tipo de jogos era proibido em Zigurat, pois era uma cidade livre, sem escravos ou gladiadores. Ark não era o maior apreciador de arenas. Pelo contrário... Ark apoiava Lunah quando ela comprava escravos só para libertá-los em seguida.
- Sim. Pode ser. -Ark respondeu.
- E que tipo de combate será? Que armas usará seu campeão?
- Ainda não sei. Responderei em breve.
- Não tarde a responder. A arena ocorrerá antes do almoço, já está marcada! -disse Beyerevra com entusiasmo.
- Decidirei a tempo. -concluiu Ark.
Muriella e o príncipe se retiraram da sala, e Ark ficou conversando sozinho com a jovem princesa. Estava nervoso, não conseguia encontrar as palavras certas que agradassem a princesa. Lembrava-se o tempo todo de Lunah falando:
- A princesa é uma vadia sádica! Acha que com aquele rostinho bonitinho consegue enganar alguém? Ela tem só dezesseis anos e já é uma devassa! E nem é tão bonita assim... Odeio precisar desse casamento!
Ark estava impaciente. Não tinha um campeão. A única companhia em que viajou foi Lunah, Kiara e Mitaro. Kiara dominava a magia com insetos. Formigas era sua especialidade, e na arena, isso seria inútil, uma vez que não era permitido o uso de magias. Lunah era uma mestre da espada, mas ela não usava a espada como uma guerreira comum. Seu dom era o de sumir e aparecer em qualquer lugar em instantes, e sem isso Lunah perderia. Mitaro era o único que poderia lutar na arena. Era o melhor arqueiro que Ark já conheceu, exceto o elfo Rei de Aziót, que era considerado o melhor arqueiro do continente inteiro.
Horas depois Lunah voltou ao castelo. Ark contou o que havia acontecido. Lunah tremeu por dentro quando chegou a conclusão de que a única solução era enviar Mitaro para a arena.
Lunah odiava arenas. Aquilo lhe trazia fantasmas do passado que a deixavam enjoada. Mas conquistar a princesa seria um grande passo para Zigurat. O casamento de Ark com a princesa poderia ser a solução de todos os seus problemas. A vadia adorava arenas. Mitaro era um excelente arqueiro, Lunah não conhecia melhor. Tinha que apostar em Mitaro para ganhar pontos com a princesa.
- Chame Mitaro na taverna da Ninfa. Chame Jarráh para assistir também. -Lunah ordenou a um dos soldados.
A arena estava vazia. Presente estavam apenas os lordes na arquibancada de honra junto com Jarráh, que gritava freneticamente por Mitaro. Jarráh estava bêbado.
Na tenda real da arena estava sentado o Rei, que mais parecia uma criança recém nascida, devido ao seu suicídio mal sucedido, a princesa Beyerevra, o príncipe de Galiót junto com sua irmã Muriella, Ark e Lunah. Atrás de Beyerevra estava seu eunuco, dono dos prazeres secretos de Beyerevra.
Mitaro entrou na arena. Não parecia tão confiante como seu oponente, que logo perguntou:
- Pronto para morrer?
- Estou sempre pronto para morrer. Mas hoje, ninguém vai morrer aqui não. -respondeu Mitaro.
- Primeiro a bateria de inimigos. Depois a besta. Até então, vocês terão de cooperar um com o outro. No fim, o duelo! -gritou um homem de dentro da arena. - Que comece a diversão!
- Então? Ainda podem desistir... -disse o príncipe com ironia para Ark e Lunah.
Ark ignorou o comentário. Lunah sorriu com confiança e ironia também.
No fundo, ambos estavam nervosos.
- Espero que não tenham laços afetivos com seu arqueiro. -disse Muriella, que foi ignorada também.
Começaram a entrar na arena elfos verdes. São o tipo de elfos mais selvagens que se pode encontrar. Tinham sete deles e três elfos comuns. A primeira bateria estava ganha. Elfos selvagens não sabem lutar com armas comum. Não sabem lutar na arena.
Ver elfos na arena deixou Lunah ainda mais incomodada. Principalmente pelo fato de ter que fingir não estar assim. Eram elfos. Sua raça. Lunah fechou os olhos por um segundo e respirou fundo. Tentou esquecer onde estava e depois abriu os olhos novamente. Sorriu de leve para Muriella e voltou a assistir a arena como se não estivesse sendo afetada por aquilo. Mas ela estava. E pior, tinha que torcer pela morte dos elfos e pela vitória de Mitaro. Estava se sentindo o pior monstro que conhecia. Ela se odiava naquele momento.
- Quantos quer que eu mate? -perguntou o arqueiro de Galiót.
- Cinco pra mim, cinco pra você! -respondeu mitaro.
A batalha contra os elfos selvagens não foi nada difícil. Mitaro matou mais que cinco deles. Por sorte, o arqueiro inimigo havia sofrido mais ataques que Mitaro, o que já deixou ele levemente ferido.
Quando terminaram a primeira bateria, soltaram dentro da arena um urso atroz. Media pouco mais de dois metros encurvado. Mitaro sentiu um grande frio na barriga. Olhou para o outro arqueiro, respirou fundo e esperou que o animal estivesse em boa posição de ataque. Mitaro era um exímio arqueiro, mas não podia mostrar tudo que sabia ali com o urso. Se mostrasse suas habilidades antes do duelo, não teria cartas na manga contra seu oponente.
Mitaro e o arqueiro lançaram flechas no urso. Mitaro lançou duas ao mesmo tempo, e o arqueiro três. O urso gritou de dor e correu na direção deles. Mitaro correu para um dos lados, e o arqueiro para outro. O urso correu atrás de Mitaro, e lhe lançou uma patada. Mitaro foi impulsivo quando se esquivou do ataque do animal e continuou correndo. De longe o outro arqueiro continuava lançando flechas no animal, mas Mitaro estava quase embaixo da criatura. Ele não tinha escolhas. Se corresse mais, logo seria alcançado novamente. Se tentasse mais um ataque, poderia falhar, e provavelmente não teria mais chances de se esquivar. Mitaro estava pressionado. Já havia escapado da morte diversas vezes, mas morrer em uma arena, não parecia a melhor maneira de partir. Mitaro respirou fundo e lentamente. Puxou uma flecha e posicionou ela no arco. Respirou forte mais uma vez e não soltou o ar. Ele apenas soltou a flecha no urso.
O animal urrou e se desequilibrou com a dor, caindo no chão e levantando a poeira da arena. Mitaro sentiu vontade de sorrir, mas não podia ainda. Seu maior inimigo ainda estava por vir.
- Como quer morrer? -perguntou o outro arqueiro.
- Não vou morrer.
- Faça seu último desejo.
- Tanto faz...  -respondeu Mitaro ainda olhando para o urso.
- Se eu cair, quero que me mate com meu próprio arco.
- Certo... Apenas não profane meu corpo! -disse Mitaro dando ás costas.
 O homem que anunciara os modos de combate voltou até a arena e posicionou Mitaro e seu oponente um de frente para o outro, a sessenta metros de distância, fora do alcance dos arcos.
Mitaro olhou para Ark e piscou sorrindo. Jarráh gritava cada vez mais histérico:
- Vai Mitaro! Enfie uma flecha no rabo desse arqueiro mariquinha!
Na tenda com a princesa, as provocações de Muriella e o príncipe não paravam. Ark tentava ignorar, estava apreensivo. Lunah apenas sorria, ou dizia algo como "veremos". Mas estava tão nervosa quanto Ark.
O arqueiro de Galiót se ajoelhou em uma só perna, esticou o arco e mirou para o alto, na direção de Mitaro. Mitaro correu para frente, na direção de seu oponente e sentiu seu ombro arder. Havia sido atingido, mas mesmo assim, não tinha tempo de parar ou fugir. Mitaro pegou rapidamente duas flechas e lançou uma após a outra. Rapidamente seu inimigo jogou o corpo para o lado e conseguiu escapar.
Na arquibancada, Lunah e Ark não piscavam os olhos. Estavam tensos, apreensivos. Mitaro não podia morrer. Não daquela maneira. Não por culpa deles. Por pôr suas ambições!
Mitaro parou de correr, ainda estava a trinta metros de distância do arqueiro, que depois de se esquivar, levantou rapidamente e também correu.
Mitaro precisava de vinte metros para um tiro certeiro, mas não tinha como correr mais. Pegou mais duas flechas e disparou junto com o outro arqueiro.
No ar, as flechas se cruzaram com pressa. A flecha de Mitaro atingiu o coração de seu inimigo. Mitaro sorriu levemente, mas seu sorriso se desfez quando o impacto da flecha inimiga o atingiu no mesmo lugar. Ele olhou para seu peito coberto de sangue. Seus olhos não podiam mentir, mas ele não parecia acreditar no que vira. Ele não sentiu ódio, nem raiva. Mitaro apenas caiu no chão com os olhos abertos e um sorriso debochado que logo congelou.
Lunah não sentiu nada. Nem tristeza, nem susto, nem dor. Lunah estava em choque. Ark levantou da cadeira e colocou as mãos sobre o parapeito da arquibancada e olhou com os olhos arregalado para Lunah, como se buscasse respostas.
Lunah esfregou o rosto com as mãos... Ela parecia não estar ali naquele momento.
Ark desceu até a arena. Lunah foi puxada novamente a realidade quando percebeu que Muriella a encarava com desprezo.
Lunah encarou Muriella, depois fitou a princesa e disse:
- Princesa... Agora apenas observe! -disse como se estivesse completamente bem e segura.
Ark correu até o corpo de Mitaro, tirou seu elmo e pôs a mão sob seu ferimento.
Não tinha chão, teto ou pessoas. Apenas fumaça preta e branca ao redor de Mitaro. As cores brincavam entre si, como se dançassem juntas. Cada vez mais a fumaça preta predominava. Dentre essa mistura de cores dançantes, Ark veio caminhando.
- Eu morri? -perguntou Mitaro.
- É... Acho que sim. Mas você pode voltar.
- Como? -perguntou o arqueiro confuso.
- Venha comigo, Mitaro. -Ark fez um gesto circular com a mão e a fumaça negra começou a sumir, deixando apenas a branca predominar.
Lá na tenda da princesa, Lunah e os outros viram apenas o corpo de Mitaro caído no chão se encher de uma luz branca, que saia por sua boca, suas narinas, ouvidos e poros. Beyerevra arregalou os olhos com um largo sorriso de entusiasmo.
Mitaro aos poucos começou a se levantar. Ark caminhou até o outro arqueiro e fez o mesmo.
A princesa de Mercantia se levantou de sua cadeira, e quando o outro arqueiro levantou, ela começou a aplaudir animada. Muriella emburrou a cara.
- Mas... Mas... Isso não pode! Eles morreram! -esbravejava o príncipe.
Muriella fez uma careta para ele, e tirou ele de lá, descendo para a arena também.
Lunah os seguiu.
- Não entendo... -disse o arqueiro já sem o elmo. - Eu morri e não vi Taurus. Vi você! Deixe-me segui-lo!
- Vocês dois morreram e nasceram novamente. Agora vocês dois são meus filhos. -disse Ark com a voz calma e serena.
- Como posso lhe seguir, meu pai? -ele perguntou.
- Apenas o siga. Todos são bem vindos em nossa família! -disse Lunah enquanto se aproximava.
- Não podem fazer isso! Este homem é propriedade de Galiót! Ele é meu! -gritou o príncipe com raiva.
De longe a princesa se aproximava. Caminhou até Mitaro, lhe rasgou a roupa e passou a mão sobre o ferimento. Havia apenas uma cicatriz. Ela sorriu e depois fez o mesmo com o outro.
- Isso foi fantástico! Que belo espetáculo! Imagine quanto não poderíamos poupar com isso? -disse Beyerevra.
Muriella puxou Lunah para um canto mais reservado e disse:
- Não podem levá-lo. A não ser que queiram começar uma guerra...
- Guerra? Não precisamos de guerra. Não tenho culpa se seu homem, assim como a maioria consegue identificar a grandeza de Ark. Ele é seu homem, você tem poder sobre ele. Mas a lealdade dele, a devoção você não pode ter; Ark já conquistou isso.
- Dê seu preço. Eu comprarei ele! -disse Ark para o príncipe.
- Ele não está a venda! -respondeu o príncipe enquanto levava o homem para a masmorra.
- O que acha, princesa? -Lunah perguntou para Beyerevra.
- Ela não tem que achar nada! -interrompeu Muriella.
Lunah fez uma careta e foi até Ark, que parecia triste por deixar o arqueiro ser levado.
- Não podemos começar uma guerra por ele, Ark. Não ainda. Mas vou encontrar uma maneira de trazê-lo para junto de nós.

Ark consentiu com a cabeça e voltaram para o castelo.

2 comentários:

  1. Masssa demais bem isso fico foda mesmo =D

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  2. Mitaro Saazita. O mais abençoado do grupo!

    Feladaputasortudo....

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