quarta-feira, 31 de julho de 2013

Devaneio - II

  A sinfonia tocada pesa nos ouvidos, esse penar se arrasta por um longo período de tempo, submerso em um mar aflito, afogado cada vez mais pelas suas ambições, contagia todo o continente, ondas sonoras com peso, forma e sentido, desnorteando a real percepção.
  O som da guerra ecoa em Zolkan: o trincar das espadas, o coro dos batalhões, os gritos de lamento, o zunir das cornetas, os estalos de aldeias queimando, o ranger de dentes, as lágrimas das mulheres, os choros das crianças. Esses ouvidos que lhes alertam sobre tal situação, são ouvidos cansados que pairaram sobre várias gerações, onde um dia já ouviu esperança, alegria, levados na leve brisa do vento cruel, se tornaram tormento, gritaria.
  Não lamento mais por não ter o dom da visão, este mundo cor carmim não merece minha apreciação, nem procuro mais uma solução, deposito ela na espada afiada que levo em minha mão, e tudo que os meus olhos na viram, minha espada sentiu, sentirá! Afim de que o silêncio tome conta desse vão de murmuração, e cesse esse som pesado, esse som de almas sem perdão.

Guizo Káliot

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